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Mesmo depois de tantos direitos adquiridos, a luta pela igualdade de gênero ainda está longe de ter seu fim
O dia 08 de março, é o Dia Internacional da Mulher. Essa data é marcada por unir as lutas das mulheres do mundo todo. Elas se unem para celebrar suas conquistas e reivindicar a tão sonhada igualdade de gênero que, em pleno século XXI, ainda está longe de ser um assunto resolvido.
Para a ativista feminista e mestre em gênero, mídia e cultura, Joanna Búrigo, essa data representa a união feminina. “Existem muitos femininos e muitas maneiras de ser mulher no mundo, né? As mulheres são mais metade da população. Então, é um pouco ilusório pensar que nós somos todas unificadas e partimos das mesmas pautas”, pontua.
Apesar da luta ser de todas as mulheres, existem diferentes bandeiras no do feminismo. “Não conseguimos realizar uma escala de sofrimento, mas, é fato que a mulher negra ocupa os cargos que formam a base da sociedade brasileira e vêm sofrendo inúmeras discriminações há séculos. Por isso eu gosto sempre de frisar que o debate feminista também é um debate de gênero, também precisa perpassar o debate de raça”, lembra.
Depois de décadas lutando para adquirir direitos, agora os movimentos feministas estão se organizando para não permitir a revogação da legislação já existente. “Precisamos nos unir e nos informar sobre política, sobre as decisões judiciais. Nosso país vive um momento conturbado e não podemos permitir que algum direito adquirido seja revisto para pior pelos nossos governantes”, exorta Joanna.
No Brasil, a legislação feminina se manteve, muitas vezes, restrita aos atos da vida civil. É estranho imaginar, mas até 1962 a mulher precisava de autorização do marido para poder trabalhar. Os avanços foram lentos e ainda precisam de alguns ajustes, mas a Constituição brasileira vem atribuindo cada vez mais autonomia para as mulheres.
Apesar dessas conquistas, a realidade ainda traz para as mulheres momentos difíceis, como explica a presidente da Comissão da Mulher Advogada da OAB de Criciúma, Rosana Correa. “Na prática, percebe-se que ela ainda não conseguiu ver os seus direitos plenamente respeitados. Nós não reparamos com mulheres sendo estupradas e espancadas por seu próprio parceiro ou pessoas da família, flagrantes e desrespeito às normas escritas”, assinala a advogada.
A presença feminina faz parte da história recente do universo do trabalho
Psicóloga e especialista em gestão de pessoas, Juliana Mendes desta a importância da chegada das mulheres nesse setor da sociedade e os desafios que elas ainda enfrentam. “As mulheres começaram a ter cargos de secretária e de enfermeiras, cargos que eram tidos como cargos femininos. Elas começaram a ter mais espaço a partir daí. As mulheres ainda ganham 70% do salário dos homens e esta é uma das questões que mais incomoda aquelas que lutam pela igualdade dentro das empresas”, observa Juliana.
Se faz pouco tempo que as mulheres receberam autonomia para trabalhar, faz menos ainda que ocupam cargos do alto escalão nas indústrias e em outras empresas. “O mercado de trabalho está abrindo as portas em função dos méritos das mulheres. Elas são maioria nas universidades, elas estão se qualificando para isso. A tendência é que tenhamos cada vez mais mulheres nos cargos de liderança. Claro que ainda existem muitos desafios e eu acredito que o maior deles seja vencer o preconceito”, reclama a psicóloga
Para alcançar a igualdade, não só no mercado de trabalho, mas em diferentes setores da sociedade, é preciso que os homens também participem das discussões sobre gênero. “A presença masculina deve existir no sentido de que eles precisam entender que nós vivemos em um mundo que garante aos homens mais privilégios e isso precisa ser descontruído”, arremata Joanna.
Muitas pessoas não entendem porque foi preciso lutar tanto por coisas que hoje parecem simples, como votar, trabalhar e fazer uso de anticonceptivos, mas, há algumas décadas, todas essas coisas pareciam impossíveis para as mulheres. “Ainda é preciso mudar muita coisa, a violência contra a mulher, por exemplo, que é um dos maiores problemas da nossa sociedade. É importante entender que o que se busca não é uma guerra, não é a masculinizacão da mulher, e sim a igualdade de gênero para que, juntos, homens e mulheres possa construir um mundo mais justo”, conclui a advogada Rosana.
Francisca D’altoé